sexta-feira, 26 de abril de 2013

Nossos depoimentos sobre leitura e escrita


Maria Josiléia:
 Não me lembro do contato com os livros ou de ter lido livros na minha infância. Na escola lembro-me de ter lido alguns livros como “ Dom Quixote”, “Dom Casmurro” entre outros,no qual o objetivo era apenas para fazer prova do livro.Achava cansativo e chato,não gostava de ler. Tempo depois, pela maturidade, fui tomando gosto pela leitura literária. Vivenciava a história, não queria que chegasse ao fim. Mais tarde, pela necessidade, comecei a ler histórias da Matemática para dar significados a certos conteúdos. Meus preferidos são os pedagógicos que me ajudam a tirar muitas dúvidas, melhorando minha prática. Destaco aqui o último que li: Ler, Escrever e Resolver Problemas: habilidades básicas para aprender Matemática -Katia Stocco Smole e Maria Ignez Diniz, que traz reflexões sobre o ensinar e aprender,  focando a  importância da leitura. Paralelo aos pedagógicos, sempre tenho um livro na cabeceira da cama que leio, nem que for um pequeno trecho, para dormir. O que estou lendo no momento é o livro "Encantadores de vidas"de Eduardo Moreira, é lindo e recomendo. E foi com a leitura que estou melhorando  na escrita.  Por isso, sempre leio para meu filho, incentivando-o e conscientizando-o sobre a importância da leitura e escrita, sendo esta imprescindível para ”  expressão de si e a compreensão do outro”, como diz Nilson José de Machado em seu depoimento.

Mariléia:
Minhas lembranças que se identificam com a escrita são aquelas revistas que minha mãe me comprava antes mesmo de eu ir para a escola. Nestas revistas algumas vezes eu precisava da ajuda de alguém para saber o que era para ser feito, por minha mãe trabalhar, não tinha muito tempo, então, eu ficava atrás de um ou de outro até encontrar alguém para me ajudar. Isso às vezes me cansava, me recordo de acordar no meio da noite e perder o sono imaginando como seria saber ler, como seria a escola. Ouvia meus irmãos dizerem que tinham lições difíceis e isso às vezes me batia eu pouco de medo, mas meu pai me contava historias de sua época na escola e eu achava tudo muito engraçado e me fazia esquecer os comentários de meus irmãos. Eu não tinha ideia da importância da leitura e da escrita, mas de uma ciosa eu tinha certeza, isso era essencial para a minha vida.

Marli:
Posso dizer de maneira convicta de que minha paixão pela leitura perpassa pela espontaneidade e pelo prazer. Sou apaixonada pelo Universo dos Romances. Compro bastante num sebo chamado "Garagem", aqui em Jaú. Mas não me percebo escritora, pois tenho muita dificuldade para me expressar através da escrita, meu lance é ler e não escrever.

Tudo na minha vida começou bem cedo, eu era a filha do meio e muito curiosa, tudo era muito difícil pois só meu pai trabalhava, mas adorava ver gibis e seus desenhos. Sempre gostei de ler e aprender coisas novas viajava na leitura.
No meu ginásio e colégio o Professor de Português, Prof. Alceny,  trabalhava muito a literatura , li  A Viuvinha, A Moreninha, O Crime do Padre Amaro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, etc..., precisava levantar as características físicas e psicológicas dos personagens e fazer o resumo da história explanando para a classe.
Nessa mesma época, veio o encanto pelos romances, regados de "aventuras" fantásticas e envolventes, os quais faziam a imaginação flutuar por emoções, reflexões e desafios que até hoje fazem parte de minha vida.


Meiriele:

Desde muito pequena, meu sonho era "aprender a ler". Lembro-me de um quadrinho, na casa de minha avó materna e, antes de aprender a ler, todas vez que íamos até sua casa e eu o via já logo dizia: "- Mãe, o que está escrito ali?" e ficava maravilhada com a leitura de um versículo bíblico. Quando consegui ler sozinha o quadrinho, me senti orgulhosa e passei a ler tudo o que via pela frente. Nas séries iniciais sempre escrevia muito: páginas e mais páginas de textos que saíam da minha imaginação, alguns até publicados em jornais locais. Minha primeira "grande" leitura na escola foi A Ilha Perdida, da série Vaga Lume. O livro era um desafio, com muitas páginas, mas acredito que o li umas três vezes seguidas. Costumava ler livros da Biblioteca da escola com frequência, até que passei a estudar a noite, para trabalhar, e minhas leituras ficaram estritas apenas aos conteúdos do Ensino Médio. Ao entrar na faculdade, meu melhor amigo era um devorador de livros e, na época, ele lia Harry Potter. Assim, voltei a ler livros que não fossem apenas teóricos, já que acredito que esses livros nos ajudam, e muito, com a imaginação, para criarmos aulas cada vez mais diversificadas, interessantes para nosso público tão imediata. 

Norival: 
No início dos anos 50, ouvia muitas estórias, contadas por familiares e vizinhos contadores de estórias . Depois no “Jardim da Infância” (antigamente assim se chamava a pré-escola), mais estórias de príncipes e princesas do mundo encantado (Cinderela, Branca de Neve e os sete anões, Gata Borralhuda, entre outras). Como esquecer-me de Dona Laura, minha primeira professora?  Incrível: Naquela época chegávamos ao primeiro ano “de Grupo” (assim se dizia), ALFABETIZADOS, acreditam?  Competentes para ler, escrever e “contar” – inclusive efetuando e resolvendo problemas sobre as quatro operações fundamentais!!!
Em meados da metade dos anos 50, já no Grupo Escolar, era leitor assíduo de Monteiro Lobato e também de Gibis - REVISTAS EM QUADRINHO, muito comum na época em que nem TV tínhamos à nossa disposição. Tinha muitos colegas com os quais fazia trocas de revistas semanalmente (para ilustrar: Roy Rogers, Bill Kid, Durango Kid, Don Chicote, Fantasma, Tarzan, Mandrake, Superman, Batman, O Pato Donald, Mickey, Pateta &Cia , Bolinha, Luluzinha, Charlie Chan , entre outras) . Nesses anos escrevia de quando em vez, uma ou outra descrição, ou narração (se bem me lembro, a professora nos apresentava uma gravura, ou um quadro e à vista dele fazíamos a produção de texto, como chamamos hoje)
A seguir, durante os cursos ginasial e científico, conheci alguns clássicos de brasileiros e portugueses, entre eles Éça de Queiróz , Luís de Camões,Aluísio de Azevedo , Machado de Assis e João Cabral de Mello Neto  , analisando, como parte do trabalho de estudante,  cada escritor , seu estilo e suas características no contexto de sua época (ou como chamávamos “Escolas literárias”=Movimentos literários): classicismo, lirismo (classicismo na poesia), romantismo, parnasianismo (romantismo na poesia), simbolismo, realismo, modernismo, etc . Daí nosso gosto pela leitura!!!
Hoje, acordo lendo: Revistas, jornais e, no trabalho, artigos referentes a temas do trabalho como PCNP Tecnologia, e mais horas e horas no PC. Falo pouco....ouço muito ! Leio muito, e escrevo pouco!
Como diz J.C Violla: “Sou ávido por conhecer as coisas, saber mais. Faço questão de estar bem informado e antenado com o mundo”.


Regina Helena:

 Quanta visão de mundo a leitura e escrita nos proporcionam. Meu contato com o mundo leitor e escritor iniciou em casa. Meu pai e minha mãe só fizeram 'primário' avós semianalfabetos, não se admitia então que os filhos não tivessem estudo e precisávamos ser muito bons. Mas para isso todos os adultos liam muito, jornal, gibis, revistas, folhetos, livros infantis. Em casa tinha uma verdadeira biblioteca: coleção Barsa e Mirador, coleções de livros clássicos, fábulas, romances, fora os outros meios de comunicação telefone e televisão. Quando cheguei à escola já era alfabetizada. Na escola, conheci outras leituras que me foram agradáveis, sonhadoras, tristes, chatas. Mas as leituras matemáticas me fascinavam, me encantavam, me norteavam para a profissão que iniciou quando aluna ainda no Ensino Fundamental de 8º ano como aluno monitor. Minha face contadora de estória se realizou quando fiz Magistério e trabalhei com Educação Infantil, um maravilhoso mundo este. Atualmente, continuo lendo num ritmo menor, mas sem perder o feeling de leitora - leio com prazer. Quanto a competência escritora, nos últimos oito anos, tenho exercitado bem, mas não me realizo com ela.





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